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São Paulo, SP, Brazil
Uma deficiente visual (Retinose Pigmentar), que vê a vida, como um presente à ser desfrutado.

terça-feira, 17 de abril de 2018

...Engodo

       Uma vez, quanto estava de férias, na Ilhabela, fui passar o dia com minha amiga Márcia, na casa da mãe dela.
Mais uma vez, constatando que nada é por acaso, ela e sua filha, Cris, estavam ansiosas para me contar que o irmão da Márcia, havia conhecido um Oftalmologista, proprietário de uma clínica em Campinas-SP, que poderia avaliar o problema visual da Cris.
Combinamos de irmos, todos juntos, para que eu pudesse, também, sondar sobre o meu problema: Retinose Pigmentar.
Durante a consulta da Cris, comentei que eu tinha Retinose, e o médico disse, entusiasmado:
– Agora, já tem a solução para a Retinose! È uma técnica Russa, que já estamos usando agui, na clínica.
Noooossa!
Era tudo que eu esperava ouvir, durante toda a minha vida!
Ele disse para reparmos nas publicações emolduradas, que estavam nas paredes de todas as dependências da clinica: corredores, salas de espera...
Mas, todas elas estavam escritas em russo, portanto, não conseguíamos entender nada.
Perguntei tudo o que era preciso para o precedimento, que ele me disse que nem era bem, uma cirurgia, mas sim, uma medicação injetada nos olhos, e que por segurança, era feito, um olho de cada vez, dando prioridade ao olho que tinha visão mais comprometida.
Voltamos para casa, muito entusiasmados, mas, meu irmão não se contagiou com este entusiasmo.
Ele, mais realista, disse que precisávamos nos certificar melhor... Se havia pessoas que tiveram sucesso... Ou, no mínimo, pedir a opinião de nosso primo, médico.
Liguei para ele, contei toda a história e perguntei sua opinião.
Como ele sempre foi mais “pé no chão”, disse que iria pesquisar e sondar, se todas as informações que passei, teriam algum fundamento.
Não encontrou nada com alguma consistências.
Me falou, inclusive, que para um tratamento ou precedimento fosse considerado legítimo, eficaz, e publicado nas revistas médicas especializadas, oficiais, teria que ter uma casuística de, no mínimo, 60%.
Meu primo ainda acrescentou:
– Nossa, Sil, se com limitação visual, você já faz tanta coisa, não posso nem imaginar o que você faria, enxergando tudo...!
Respondi, com um tom debochado:
– Ahn... Que tal, piloto da NASA?
Caímos na risada.
Ele não consegiu constatar nada, sobre o tratamento, e me aconselhou esperar mais um pouco.
Mas, eu sabia, que não conseguiria sossegar, se não arriscasse.
Meu irmão, embora entusiasmado com a possibilidade da cura da Retinosa, foi mais cauteloso. Achava que ainda era cedo para nos arriscarmos.
Marquei uma consulta, e o médico disse que o precedimento seria: no olho com visão mais comprometida,uma anestesia local, para que eu me mantivesse lúcida para ir orientando a cirurgia, e que seria colocada uma lente, vinda da Rússia, que substituiria o tecido da retina, e também, seria injetado, um medicamento que auxiliaria no precesso, para que o tecido novo, saudável, substituísse o outro, com o pigmentos que compromentem o campo visual.
Assim, eu alcançaria a cura da Retinose Pigmentar.
Mas, infelizmente, isso não aconteceu.
Durante a cirurgia, fiquei toda amarrada à maca, o que me deu uma sensação de desespero, e acabeu ficando com uma taquicardia, como sequela.
Precisei ficar acordada, para atender as orientações do médico:
– Agora, olha para cima... Para a direita...
Eu sentia a cânula, embora fininha, entrando no canto interno do olho para colocar a tal película, enrolada, que segundo o médico, depoisde posicionada, seria aberta, já, no local exato, para que substituísse, com o tempo, o tecido da retina.
Eu pedia, encarecidamente, para que me deixassem, pelo menos, dobrar uma perna, pois, estava me dando desespero.
Eles alegavam, que não poderiam arriscar, pois, o mínimo movimento que eu fizesse, durante a cirurgia, poderia ter consequências desastrosas.
Nem sei quando, e se foi, realmente, injetada alguma medicação, no meu olho direito.
Quando, finalmente, me levaram para a sala de recuperação, me disseram que iriam avisar minhas acompanhates que a cirurgia havia terminado.
Minha mãe, por sua vez, ficou acompanhando várias cirurgias, que segundo eles, era em tempo real, e ela assistiu uma, achando que seria a minha.
Acho que não era. Seria uma simples cirurgia de miopia, e como demoraram para chama-la, começou a me procurar por toda a clínica, até que me encontrou na sala de recuperação, me vestindo para sair correndo, dali.
Fui orientada à voltar, no dia seguite, para a retirada do curativov.
Quando acordei, meu olho estava roxo e tão inchado, que eu mal conseguia abrir, por mais que eu me esforçasse.
Meu rosto, deformado.
Quando cheguei na clínica, no dia seguinte, as funcionárias me perguntaram o que havia acontecido.
Ficaram me procurando pelas dependencias, e pensaram que eu tinha fugido, surtado... Sei lá o quê.
Eu, simplesmente não sabia que deveria esperar pelos médicos que iriam relatar todo o procedimento para minha mãe e minha prima, Priscila.
Contei que, quando elas entraram na sala de recuperação, eu já estava terminando de me arrumar, e só queria sair correndo, daquele lugar, e fomos embora.
Eu estava transtornada, desarvorada.
Na retirada do curativo, o médico, chinês, pedia para que eu abrisse bem os olhos:
– Abre mais... MAIS...
Quase falei para ÊLE, abrir seus olhinhos, pois, o inchaço era tão grande, que eu, por mais que tentasse, não conseguia abrir o olho.
E o hematoma, então?
Parecia que eu tinha lutado boxe, e que tinha levado um “direto” no olho direito.
Comecei a perceber, que essa criurgia, tinha sido um engodo, principalmente, com o passar do tempo, constatando que não houve nenhum resultado positivo.
Falei que não estava enxergando bem, e ele disse que o resultado da cirurgia poderia demorar até UM ANO!
A expectativa da melhora, ainda se arrastou por mais um ano, e... NADA!
Ainda por cima, paguei US$ 1000,00.
Para sofrer tudo isso.
Quase dois anos depois, marquei uma consulta, junto com a Cris, na Clínica do Prof.Dr. Rubens Belfort Filho.
Quando contei à ele, tudo o que havia acontecido, em Campinas, ele disse, quase murmurando, indignado:
– Essas pessosas deveriam estar na cadeia! Isso é crime! Charlataneismo!
E continuou:
– Voce poderia ter usado seus dólares para se divertir no Caribe, ou em qualquer outro lugar... E ainda pagou para sofrer!
Fiquei tão arrasada, que ele logo tratou de me animar:
– Tenho um colega, que acha que dentro de uns 5 ou 6 anos, teremos a cura da Retinose Pigmentar.
– Eu, como sou mais pessimista, acredito que demore um pouco mais... Uns dez anos...
Isso, já faz mais de 25 anos...
Mas, não perco a esperança.
Confio, plenamente, na equipe de pesquisadores da USP de Ribeirão Prêto.
Não tenho mais idade para sonhar em ser piloto da NASA, mas... Que tal, piloto de helicóptero...?
 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Altruísmo X Charlatanismo

        Vira e mexe, constato que coincidências não existem.
        Ontem, insisti para levar minha mãe ao hospital, pois, o prazo de 48 horas, que o médico estipulou, para que ela melhorasse de uma pneumonia, havia esgotado e ela ainda não havia dado sinais de melhora.
        Ao contrário, ela estava tossindo, ainda mais. então. decidimos leva-la para uma nova avaliação.
         Lá, encontrei uma moça que percebeu minha dificuldade visual, e logo se prontificou a me ajudar, quando eu tinha que entrar no consultório, acompanhando minha mãe.
         Quando saímos, ela já estava na porta, para me ajudar, novamente.
         Ela me acomodou ao lado de sua poltrona, na sala de espera e, automaticamente, começamos a conversar.
        Nos apresentamos, e assim, descobri que o nome deste "anjo" é: Izaura.
        Contei à ela que estava apenas com 1% de visão, e por isso havia lançado uma livro, incentivada por uma amiga, sobre minhas experiências como deficiente visual.
         Ela percebeu que várias pessoas estavam "ligadas" em nossa conversa e perguntou como chamava o livro e onde poderia comprar.
         Ela falou para as moças sentadas na nossa frente:
         – Vocês ouviram...? Ela tem só 1% de visão, e escreveu um livro!!!
         Ela me perguntou aonde poderia comprar o livro.
         Procurei em minha bolsa, meu porta-cartões, e tirei um cartão para ela, que me perguntou se poderia pegar mais, e... ofereceu, distribuiu meus carões para as pessoas que se interessaram pelo assunto.
         Acho que ela nem imagina o quanto me senti grata e feliz, com sua atitude.
         De repente, formamos uma roda de conversa, uma reunião de negócios, trocando várias informações e telefones.
         Logo depois, quando já estávamos saindo do consultório, aliviada, pois a médica havia constatado, na comparação dos exames, que minha mãe já estava reagindo bem, ao tratamento, comentamos sobre minha necessidade de ajuda por causa da baixa visão.
        A médica, então, começou a contar que tinha 4 pessoas na família, em Minas Gerais, deficientes visuais, vítimas da Retinose Pigmentar.
        Que coincidência!
        Contei a ela, que era exatamente o que eu tinha.
        Ela pediu meu telefone, contando que sua tia tem criou um grupo, no WhatsApp, de pessoas com Retinose Pigmentar.
        Claro, deixei mais alguns carões com ela. entusiasmada com suas informações,
        Mas, ela contou, também, que sua tia tinha sido vítima de charlatanismo.
       Acreditou em promessas infundadas, que consistiam em um "tratamento e cura" da Retinose Pigmentar, em Cuba.
        Ela, não só se sujeitou em ser "cobaia", sem saber, como ainda contraiu dívidas para pagar a viagem e o "tratamento", sem qualquer resultado.
         Nossa obrigação é alertar as pessoas sobre esse golpe, ou, no mínimo essa propaganda enganose que afirma que existe tratamento e cura da Retinose Pigmentar, em Cuba.
        Só no Brasil, existem mais de 45000 portadores de Retinose Pigmentar.
        Precisamos alertar à todos que, o tratamento feito em Cuba, NÃO DÁ  RESULTADO!!!

        Felizmente existem pessoas do bem, para o equilíbrio do Universo, e o Altruísmo vai ajudar a desmascarar o Charlatanismo, não é mesmo?
        Se cada um, ajudar a divulgar um pouquinho, essas informações, já vai estar colaborando muito.     
         OBRIGADA.
 
        Assista os vídeos de depoimentos de uma pessoa pública, querida por todos e confiável: Geraldo Magela
:
Geraldo Magela é mais uma vítima da Retinose Pigmentar
http://tvuol.uol.com.br/video/geraldo-magela-explica-como-perdeu-a-visao-4-04028D1A3568E0C14326

Geraldo Magela foi para Cuba
https://www.youtube.com/watch?v=MMG1JmCRw68

terça-feira, 3 de abril de 2018

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

         Ontem, 02 de abril, foi o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, e gostaria de compartilhar com amigos e familiares de portadores de Autismo, a comemoração deste dia.

 Para quem não conhece, aqui vão algumas informações básicas:

“Empilhar, enfileirar ou reorganizar objetos repetidamente é um comportamento típico de crianças com Autismo, uma síndrome, diagnosticada pela Psiquiatria.”
          ”O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo.
Os sinais geralmente desenvolvem-se gradualmente, mas algumas crianças com autismo alcançam o marco de desenvolvimento em um ritmo normal e depois regridem.
O autismo é altamente hereditário, mas a causa inclui tanto fatores ambientais quanto predisposição genética.
Em casos raros, o autismo é fortemente associado a agentes que causam defeitos congênitos.
Controvérsias em torno de outras causas ambientais propostas; a hipótese de danos causados por vacinas, são biologicamente improváveis e têm sido refutadas em estudos científicos.
Os critérios diagnósticos exigem que os sintomas se tornem aparentes antes da idade de três anos.
O autismo afeta o processamento de informações no cérebro, alterando a forma como as células nervosas e suas sinapses se conectam e se organizam; como isso ocorre ainda não é bem compreendido.
O autismo é um dos três distúrbios reconhecidos do espectro do autismo (ASD), sendo os outros dois a Síndrome de Asperger, com a  atrasos no desenvolvimento cognitivo e o Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação (comumente abreviado como PDD-NOS (sigla em inglês) ou TID-SOE (sigla em português)), que é diagnosticado quando o conjunto completo de critérios do autismo ou da Síndrome de Asperger não são cumpridos.
Intervenções precoces em deficiências comportamentais, cognitivas ou da fala podem ajudar as crianças com autismo a ganhar autonomia e habilidades sociais e de comunicação.
Embora não exista nenhuma cura conhecida, há relatos de casos de crianças que se recuperaram.
Tem se desenvolvido uma cultura do autismo, com alguns indivíduos buscando uma cura enquanto outros creem que o autismo deve ser aceito como uma diferença e não tratado como um transtorno.”
Baseado em informações da Wikipédia, a enciclopédia livre.        

Graças à Deus, o diagnóstico é feito, cada vez mais, precocemente. Isto é fundamental, para a evolução e reabilitação dos autistas.

Também, precisamos fazer a nossa parte, colaborando com familiares e instituições como AACDs, APAEs, etc, no que for possível e de acordo com suas necessidades.
 
Contamos com você!
 
Procure os Contatos da sua região, ou:

AACD – Mogi das Cruzes
4791- 7470

APAE – Poá
4634-1215

quarta-feira, 14 de março de 2018

A perda de Ênnio Rubini

            Ontem, recebi um telefonema com um triste notícia.
            Nossa qqerida amiga, Suzy, ligou. e quando perguntei se estava tudo bem, ela respondeu: não; com a voz embargada.
            Logo deduzi que nosso querido amigo Ênnio Rubini, tinha se desligado desse mundo.
Tínhamos perdido nosso queridoa amigo.
Embora ele estivesse com uma idade bastante avançada. com a saúde muito comprometida. há um bom tempo, e estivéssemos “praparados” para esse momento, percebi que nunca estamos, realmente, preparados.
Ficamos arrasados.
Uma espécie de filme foi passando em minha cabeça, lembrando dos momentos que passamos juntos em sua casa, e da única vez que nos visitaram na casa da minha mãe, em Poá...
Lembrei dos deliciosos “bate-papos”, sempre edificantes, que me acrescentaram, com seus conteúdeos de cultura e sabedoria de vida, de bom humosr...
Com baixa visão, percebia os sons dos latidinhos dos cachorrinhos, os aromas que vinham da cozinha, o tlintar das taças de vinho...
Tudo isso me dava uma deliciosa sensação de amor e aconchego.
Sempre me lembro da salada que Suzy preparou uma salada de rúcula com tomates secos e queijo... E também, da salada que apelidamos de “Salada do Ênnio”, que o Kaumer lembrava, que era ele, quem preparava: rúcula com aliche...
Sua filha Ângela, seu genro, Dr Carlos e suas netas, sempre apareciam mais tarde para conversarmos um pouco, matarmos as saudades, e eles, relembravam, e me contavam, velhas históriras, que me faziam “viajar”, e  sempre me encantavam.
Minha sede sede de saber mais, inesgotável, me deu uma vontade enoram de escrever sua história, e o convidei para, juntos, escrevermos um livro sobre sua vida, tão rica, comovente e divertida.
Mas, foi em um momento, que ele estava decepcionado com o mundo empresarial, que não havia dado o devido valor ao seu currículo de poliglota impecável e executivo brilhante, como muito poucos
Por isso, tenho certeza que foram eles, quem saíram perdendo.
E muito!
Então ele não se entusiasmou com a idéia, do livro , como eu.
Me entristece ainda mais, saber que hoje, tantas histórias, foram sepultadas com ele, um homem tão especial.
Ênnio Rubini. Que Deus o receba em seus braços, e torne sua vida eterna cheia de luzes e bênçãos tão merecidas!!
 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Finalmente, o livro!

          Depois de tanto tempo, fui estimulada a rever meu projeto do livro.
          Ele estava "na gaveta" por mais de três anos, então reli, fazendo uma revisão e uma atualização.
          Depois disso, comecei a agitar as pessoas a minha volta, para as acessorias necessárias: meu marido e minha amiga, Márcia, para as revisões, meu amigo Johan e meu sobrinho Bruno, para desenvolver a capa....
          O projeto foi tomando forma e a data, marcada.
          Agora é uma realidade!
          Aqui está o seu convite:



          Conto com sua presença.

          Obrigada, desde já, e até lá!!!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Dia Internacional da Inclusão

         Infelizmente, ainda temos que lidar com muito preconceito e até mesmo bullying. mas, percebemos que, por outro lado, muitos estão empenhados para que, um dia, as pessoas percebam que todos somos iguais: com nossas deficiências e eficiências.

        O governo do Estado de São Paulo, fez um lindo trabalho para comemorar esta data, realizando eventos em varias cidades do Estado, com atividades esportivas, culturais e comemorações.

         Deus queira que, em um futuro próximo, todos os dias tenhamos atitudes inclusivas por parte dos governos, empresas, etc...
         Parabéns, à todos os deficientes, seres que sabem exatamente  o que significa SUPERAÇÃO!!!

 

domingo, 2 de julho de 2017

Uma noite inesquecível

         No comecinho de abril, na noite de 07/04/17, por volta de 10 e meia da noite, ouvi o alto-falante da Telehelp (o sistema de emergência), chamando pela minha mãe.
Saí correndo, pois, ela só aciona o sistema, no pulso, realmente, em caso de emergência.
Ela tinha caído, saíndo do banheiro, ao se preparar para  dormir.
Liquei para meu irmão, que mora ao lado, pedindo ajuda para coloca-la na cama.
As 02:30 h da manhã,  minha mãe me chamou, porque não estava conseguindo ir sozinha ao banheiro.
Ela sempre foi muito independe e guerreira, por isto, quando vi que me pediu ajuda, era porque já tinha tentado e sentido muita dificuldade e dor.
Tentei ajuda-la e caímos, as duas, com o andador, entre nós.
Telehelp e o Zé colocou na cama
No dia seguinte, constatando que não conseguiria levantar sozinha, minha mãe me chamou, tentei ajudar, e como não consegui, chamei meu sobrinho, Bruno, mas, vimos que a situação era mais grave do que parecia e liguei para o SAMU.
O Nilton, meu primo, foi enviado por Deus: estava passando pela nossa casa, e viu a ambulância estacionada em frente ao portão e entrou para ver o que estava acontecendo.
Foi providencial.
Com toda a prática e adquiridas com o tempo de cuidados com seu pai, ele colocou minha mãe no carro do Kaumer, meu marido, e fomos para o Pronto Socorro do hospital Dr Guido Guida, conhecido como hospital do Jardim Medina, bem próximo à nossa casa.
Antes de sair, me informei qual o hospital do convenio, seria mais indicado, caso fosse preciso transferir minha mão, para São Paulo.
O médico do PS, apóe constatar que a prótese do fêmur havia saído do encaixe da bacia, disse que poderíamos levar minha mãe, para o hospital, em São Paulo, no  nosso carro, já que ela tinha chegado até lá, desta forma e sem maiores problemas.
Pobre mamãe!
Ficou em jejum até às 23:30 horas, e depois,  como as taxas do exame de sangue, estavam alteradas, prorrogaram até as 08:00 horas, repetindo os exames e então,  libereram uma dieta leve, e mais uma vez, 12 horas de jejum.
Ficamos esperando para que chamassem para subir para o Centro Cirurgico, e isto só aconteceu por volta de 1 e meia da manhã de segunda-feira.
Quando vieram buscar minha mãe, a enfermeira se ofereceu para subir comigo, mas, eu disse que poderia ir com a mão no ombro do enfermeiro que levava a maca.
Ao chegar no 8º andar, saindo do elevador ele digitou uma senha em algum lugar que eu nem tive oportunidade de ver, e entramos em um tipo de sala de espera, pois, tinha umas poltronas.
Assim que ele me ajudou a me acomodar, disse que a médica anestesista, logo viria para falar comigo, e subiu com minha mãe, na maca, para outra sala, provavelmente, onde haviam as salas de cirurgia.
Ouvi uns sons, que pareciam de uma pessoa mexendo em gavetas, caixas e papéis.
A médica anestesista sentou em frente à uma mesinha, que eu nem tinha visto, começou a me fazer perguntas para preencher alguns formulários que provavelmente seria eu, quem teria que preencher, para depois, assinar.
Ela me informou o conteúdo dos papéis, dizendo que só fariam a cirurgia aberta, se a ‘’manobra’ não desse o resultado esperado, e neste caso, a demora seria maior, e aí, sim, seria preciso ir para a UTI, por algumas horas, para observação nas primeiras horas de recuperação.
Expliquei, para a médica, as minhas possíveis dificuldades para voltar ao quarto, por causa da baixa visão, e que, por isto,  eu precisaria de ajuda para chegar lá.
Ela foi entrando pelos corredores, chamando por uma pessoas, talvez o próprio enfermeiro, avisando que eu precisava de ajuda.
Ouvi apenas um som de voz masculina, concordando em me ajudar...
Mas, o tempo foi passando, e ele não voltava.
O ambiente era frio. Gelado. Com paredes azulejadas e a pessoa que estava por ali, começou a conversar com outra moça, e as duas vozes foram se afastando, dizendo que iriam tomar um café.
Quando percebi que iria ficar sozinha, naquele lugar gélido e sinistro, tenteu chamar:
 – Hey! Alguém está me ouvindo?
Nenhuma resposta. Elas já haviam se afastado demais e mão me ouviram.
Fiquei preocupada e pensando: “Será que esqueceram de mim?“.
O silencio era sepulcral.
Pesado.
Comecei me agitar mais, pensando: “Quanto tempo será que vou ficar aqui, esquecida...? O tempo da cirurgia toda...? Vou acabar congelando... Isto está parecendo um túmulo...“.
Comecei a ficar atordoada, pois estava cansada, com sono, e tudo aquilo começou a parecer surreal.
Os minutos foram passando, parecendo horas, e então, achei melhor, tentar sair sozinha, daquele lugar, que me parecia tão tétrico.
Fui na direção que eu achava que tínhamos entrado.
Tateei a parede e senti um vidro: a porta era de vidro.
Enquanto tateava, lembrei que o enfermeiro tinha digitado uma senha, para entrar.
Gelei. Estava presa naquele lugar, e pensei: “Por quanto tempo...?”.
Graças ao bom Deus, neste instante, percebi um botão na parede, como se fosse para chamar um elevador, e quando apertei, a porta de vidro começou a abrir, e me atireii, rapidamente, para fora.
“Ufa! Acho que estou no hall do elevador!’.
Continuei tateando, e encontrei um vão de porta, azulejado, e deduzi que fosse um acesso à escada. Colocando os pés, um a um, com medo de encontrar um degrau.
Voltei e continuei tateando a parede ate que encontrei, o que parecia com uma porta de elevador.
Passei a mão na lateral direita da porta e encontrei o botão que chama o elevador.
Quando a porta se abriu, coloquei o pé para sentir se o elevador estava realmente, ali.
Outro desafio: encontrar o painel, e o botão do 7º  andar, onde minha mãe estava internada.
Encontrei o painel, na lateral esquerda da porta e apertei um botão, ouvindo a voz eletrônica:
– 4º  andar.
Apertei outro, mais para cima:
– 6º andar.
Achei melhor apertar escolher um andar bem baixo, pois, teria mais possibilidade de encontrar alguém esperando pelo elevador...
– 1º andar. O andar da lanchonete.
Entraram duas moças, me alviando a tensão, e pedi para que apertassem o botão do 7º andar e explicando minha situação, tentando voltar, sozinha, para o quarto, e tentando apertar o botão certo.
As moças se ofereceram para me acompanhar até o quarto, mas, eu disse que lá, no andar, eu encontraria as enfermeiras, ou, seguindo o corredor e as vozes, eu chegaria no porto de enfermagem.
Uma delas, muito gentil, desceu atrás de mim e me levou até a porta do quarto.
Alguns minutos depois que entrei, uma enfermeira veio me informar que, após a cirurgia, o médico iria me chamar para informar os procedimentos durante a cirurgia e se a cirurgia fosse aberta, minha mãe teria que ficar durante algumas horas, no UTI, e eu precisaria desocupar o quarto.
Fiquei apavorada.
Para onde eu iria, morando em Poá, sozinha ás 2 da manhã?
Minha cabeça começou a funcionar aos borbotões, como se um turbilhão de possibilidades viessem ao mesmo tempo
Tenho que lembrar de pegar tudo e colocar nas 2 maletas...
Para onde posso ir?
Como posso ir?
Ligo para alguém vir me buscar?
Vou de taxi...?
Ou Uber?
Quando a enfermeira viu minha cara de pavor, tentou me acalmar, dizendo que era apenas uma possibilidade, e que deveríamos aguardar pelo resultado da cirurgia ou da chamada ’manobra’.
Quando a enfermeira saiu, senti uma solidão profunda.
Tratei de recolher todas as nossas coisas pessoais, arrumando as duas maletas, me esforçando para lembrar de tudo, pois, dependo mais da minha memória do que da visão.
Minha cabeça estava atordoada com tantas informações e emoções diferentes... Tanta tensão...
Resolvi tomar um banho demorado e me arrumar para a reunião com o médico.
Depois do banho tomado, me arrumei e até fiz uma maquiagem básica, para fazer hora e poder subir com uma aparência melhor.
Aguardei por alguns minutos, e por volta das 4 e meia da manhã, uma enfermeira veio me chamar e me acompanhou até o Centro Cirurgico, no 8º andar.
Contei tudo o que tinha acontecido e ela se ofereceu para ficar comigo, até o médico chegar, mas, ela foi chamada, pelo celular, e fiquei novamente sozinha, naquela sala lúgubre.
Porém, desta vez, apenas por uns 15 minutos, e logo o Dr Fernando Baldi, apareceu para me dar todas as informações sobre a ‘manobra’, feita para recolocar o fêmur no encaixe da bacia.
Ele foi muito simpático, e por isto, me senti à vontade para pedir ajuda para chegar ao elevador.
Ele mesmo, deu a volta, do que parecia uma meia-porta com um balcão, digitou a senha e a porta de vidro, novamente se abriu para que eu saísse.
Muito gentil, ficou aguardando o elevador e apertou o botão do 7º andar e, só depois de meus agradecimentos, nos despedimos até que a porta do elevador se fechasse.
Quando desci, fui em direção ao posto de enfermagem, chamando as enfermeiras, que logo apareceram me oferecendo ajuda.
Felizmente não precisei liberar o quarto e depois de uns 20 minutos, minha mãe chegou, de maca, conversando animadamente, com  uma agitação um pouco acima do normal, que deduzi ser efeito colateral da sedação.
A alta, foi bem cedinho e pudemos voltar para casa, mas minha mãe no podia nem apoiar o pé direito no chão.
Depois de 10 dias, ouvi passos rápidos no assoalho de madeira, do corredor, e levantei da cama assustada
Meu irmão e minha cunhada me disseram enquanto se dirijiam para o quarto da minha mãe, que a TeleHelp tinha avisado que ela havia caído, novamente.
Chegando no quarto, encontramos ela sentada no chão, dizendo que estava tentando ir se arrastando de bumbum, até o  o banheiro, mas estava sentindo muita dor, e por isto, acionou o botão na pulseira.
No dia seguinte, no feriado de 21 de abril, ela voltou a ser internada para mais uma “manobra”, mas desta vez, bastou a agitação durante a noite para que a prótese saísse do lugar ideal, segundo a radiografia da manhã seguinte.
Foi preciso uma cirurgia aberta, felizmente, pois, assim, desta vez minha mãe já voltou para casa, podendo apoiar os dois pés no chão e até andar, com a ajuda do andador.
Graças a ajuda de todos à nossa volta, e principalmente GRAÇAS à DEUS, minha mãe se encontra em plena recuperação.

Agora, me sinto acordando de um longo pesadelo...

Reflexões

Para cima, e para o alto!



Se um dia, menino

A vida lhe pega

Andando sem tino

Caindo na pedra



Não fica, menino

Por causa da pedra

Como o corpo fechado

Com um corpo de pedra



Um dia essa pedra

Com mêdo de alguém

Com o corpo em queda

Pode ir além

De um poço sem fim



Não fica, menino

Por causa da pedra

Com o corpo fechado

Com um corpo de pedra



Silvann@____