Depois de tanto tempo, fui estimulada a rever meu projeto do livro.
Ele estava "na gaveta" por mais de três anos, então reli, fazendo uma revisão e uma atualização.
Depois disso, comecei a agitar as pessoas a minha volta, para as acessorias necessárias: meu marido e minha amiga, Márcia, para as revisões, meu amigo Johan e meu sobrinho Bruno, para desenvolver a capa....
O projeto foi tomando forma e a data, marcada.
Agora é uma realidade!
Aqui está o seu convite:
Conto com sua presença.
Obrigada, desde já, e até lá!!!
Quem sou eu
- Silvann@___
- São Paulo, SP, Brazil
- Uma deficiente visual (Retinose Pigmentar), que vê a vida, como um presente à ser desfrutado.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
domingo, 3 de dezembro de 2017
Dia Internacional da Inclusão
Infelizmente, ainda temos que lidar com muito preconceito e até mesmo bullying. mas, percebemos que, por outro lado, muitos estão empenhados para que, um dia, as pessoas percebam que todos somos iguais: com nossas deficiências e eficiências.
O governo do Estado de São Paulo, fez um lindo
trabalho para comemorar esta data, realizando eventos em varias cidades
do Estado, com atividades esportivas, culturais e comemorações.
Deus queira que, em um futuro próximo,
todos os dias tenhamos atitudes inclusivas por parte dos governos,
empresas, etc...
Parabéns, à todos os deficientes, seres
que sabem exatamente o que significa
SUPERAÇÃO!!!
domingo, 2 de julho de 2017
Uma noite inesquecível
No comecinho de abril, na noite de 07/04/17,
por volta de 10 e meia da noite, ouvi o alto-falante da Telehelp (o sistema de emergência),
chamando pela minha mãe.
Saí correndo, pois, ela só aciona o sistema,
no pulso, realmente, em caso de emergência.
Ela tinha caído, saíndo do banheiro, ao se preparar
para dormir.
Liquei para meu irmão, que mora ao lado,
pedindo ajuda para coloca-la na cama.
As 02:30 h da manhã, minha mãe me chamou, porque não estava
conseguindo ir sozinha ao banheiro.
Ela sempre foi muito independe e guerreira,
por isto, quando vi que me pediu ajuda, era porque já tinha tentado e sentido muita
dificuldade e dor.
Tentei ajuda-la e caímos, as duas, com o
andador, entre nós.
Telehelp e o Zé colocou na cama
No dia seguinte, constatando que não
conseguiria levantar sozinha, minha mãe me chamou, tentei ajudar, e como não
consegui, chamei meu sobrinho, Bruno, mas, vimos que a situação era mais grave
do que parecia e liguei para o SAMU.
O Nilton, meu primo, foi enviado por Deus:
estava passando pela nossa casa, e viu a ambulância estacionada em frente ao
portão e entrou para ver o que estava acontecendo.
Foi providencial.
Com toda a prática e adquiridas com o tempo
de cuidados com seu pai, ele colocou minha mãe no carro do Kaumer, meu marido,
e fomos para o Pronto Socorro do hospital Dr Guido Guida, conhecido como
hospital do Jardim Medina, bem próximo à nossa casa.
Antes de sair, me informei qual o hospital do
convenio, seria mais indicado, caso fosse preciso transferir minha mão, para
São Paulo.
O médico do PS, apóe constatar que a prótese
do fêmur havia saído do encaixe da bacia, disse que poderíamos levar minha mãe,
para o hospital, em São Paulo, no nosso
carro, já que ela tinha chegado até lá, desta forma e sem maiores problemas.
Pobre mamãe!
Ficou em jejum até às 23:30 horas, e depois, como as taxas do exame de sangue, estavam
alteradas, prorrogaram até as 08:00 horas, repetindo os exames e então, libereram uma dieta leve, e mais uma vez, 12
horas de jejum.
Ficamos esperando para que chamassem para
subir para o Centro Cirurgico, e isto só aconteceu por volta de 1 e meia da
manhã de segunda-feira.
Quando vieram buscar minha mãe, a enfermeira
se ofereceu para subir comigo, mas, eu disse que poderia ir com a mão no ombro
do enfermeiro que levava a maca.
Ao chegar no 8º andar, saindo do elevador ele
digitou uma senha em algum lugar que eu nem tive oportunidade de ver, e entramos
em um tipo de sala de espera, pois, tinha umas poltronas.
Assim que ele me ajudou a me acomodar, disse
que a médica anestesista, logo viria para falar comigo, e subiu com minha mãe, na
maca, para outra sala, provavelmente, onde haviam as salas de cirurgia.
Ouvi uns sons, que pareciam de uma pessoa
mexendo em gavetas, caixas e papéis.
A médica anestesista sentou em frente à uma
mesinha, que eu nem tinha visto, começou a me fazer perguntas para preencher
alguns formulários que provavelmente seria eu, quem teria que preencher, para
depois, assinar.
Ela me informou o conteúdo dos papéis, dizendo
que só fariam a cirurgia aberta, se a ‘’manobra’ não desse o resultado
esperado, e neste caso, a demora seria maior, e aí, sim, seria preciso ir para
a UTI, por algumas horas, para observação nas primeiras horas de recuperação.
Expliquei, para a médica, as minhas possíveis
dificuldades para voltar ao quarto, por causa da baixa visão, e que, por isto, eu precisaria de ajuda para chegar lá.
Ela foi entrando pelos corredores, chamando
por uma pessoas, talvez o próprio enfermeiro, avisando que eu precisava de
ajuda.
Ouvi apenas um som de voz masculina,
concordando em me ajudar...
Mas, o tempo foi passando, e ele não voltava.
O ambiente era frio. Gelado. Com paredes
azulejadas e a pessoa que estava por ali, começou a conversar com outra moça, e
as duas vozes foram se afastando, dizendo que iriam tomar um café.
Quando percebi que iria ficar sozinha,
naquele lugar gélido e sinistro, tenteu chamar:
– Hey! Alguém está me ouvindo?
Nenhuma resposta. Elas já haviam se afastado
demais e mão me ouviram.
Fiquei preocupada e pensando: “Será que
esqueceram de mim?“.
O silencio era sepulcral.
Pesado.
Comecei me agitar mais, pensando: “Quanto
tempo será que vou ficar aqui, esquecida...? O tempo da cirurgia toda...? Vou acabar
congelando... Isto está parecendo um túmulo...“.
Comecei a ficar atordoada, pois estava
cansada, com sono, e tudo aquilo começou a parecer surreal.
Os minutos foram passando, parecendo horas, e
então, achei melhor, tentar sair sozinha, daquele lugar, que me parecia tão
tétrico.
Fui na direção que eu achava que tínhamos entrado.
Tateei a parede e senti um vidro: a porta era
de vidro.
Enquanto tateava, lembrei que o enfermeiro
tinha digitado uma senha, para entrar.
Gelei. Estava presa naquele lugar, e pensei: “Por
quanto tempo...?”.
Graças ao bom Deus, neste instante, percebi
um botão na parede, como se fosse para chamar um elevador, e quando apertei, a
porta de vidro começou a abrir, e me atireii, rapidamente, para fora.
“Ufa! Acho que estou no hall do elevador!’.
Continuei tateando, e encontrei um vão de
porta, azulejado, e deduzi que fosse um acesso à escada. Colocando os pés, um a
um, com medo de encontrar um degrau.
Voltei e continuei tateando a parede ate que
encontrei, o que parecia com uma porta de elevador.
Passei a mão na lateral direita da porta e
encontrei o botão que chama o elevador.
Quando a porta se abriu, coloquei o pé para
sentir se o elevador estava realmente, ali.
Outro desafio: encontrar o painel, e o botão do
7º andar, onde minha mãe estava
internada.
Encontrei o painel, na lateral esquerda da
porta e apertei um botão, ouvindo a voz eletrônica:
– 4º andar.
Apertei outro, mais para cima:
– 6º andar.
Achei melhor apertar escolher um andar bem
baixo, pois, teria mais possibilidade de encontrar alguém esperando pelo
elevador...
– 1º andar. O andar da lanchonete.
Entraram duas moças, me alviando a tensão, e
pedi para que apertassem o botão do 7º andar e explicando minha situação, tentando
voltar, sozinha, para o quarto, e tentando apertar o botão certo.
As moças se ofereceram para me acompanhar até
o quarto, mas, eu disse que lá, no andar, eu encontraria as enfermeiras, ou,
seguindo o corredor e as vozes, eu chegaria no porto de enfermagem.
Uma delas, muito gentil, desceu atrás de mim
e me levou até a porta do quarto.
Alguns minutos depois que entrei, uma enfermeira
veio me informar que, após a cirurgia, o médico iria me chamar para informar os
procedimentos durante a cirurgia e se a cirurgia fosse aberta, minha mãe teria
que ficar durante algumas horas, no UTI, e eu precisaria desocupar o quarto.
Fiquei apavorada.
Para onde eu iria, morando em Poá, sozinha ás
2 da manhã?
Minha cabeça começou a funcionar aos
borbotões, como se um turbilhão de possibilidades viessem ao mesmo tempo
Tenho que lembrar de pegar tudo e colocar nas
2 maletas...
Para onde posso ir?
Como posso ir?
Ligo para alguém vir me buscar?
Vou de taxi...?
Ou Uber?
Quando a enfermeira viu minha cara de pavor,
tentou me acalmar, dizendo que era apenas uma possibilidade, e que deveríamos aguardar
pelo resultado da cirurgia ou da chamada ’manobra’.
Quando a enfermeira saiu, senti uma solidão
profunda.
Tratei de recolher todas as nossas coisas
pessoais, arrumando as duas maletas, me esforçando para lembrar de tudo, pois,
dependo mais da minha memória do que da visão.
Minha cabeça estava atordoada com tantas informações
e emoções diferentes... Tanta tensão...
Resolvi tomar um banho demorado e me arrumar
para a reunião com o médico.
Depois do banho tomado, me arrumei e até fiz
uma maquiagem básica, para fazer hora e poder subir com uma aparência melhor.
Aguardei por alguns minutos, e por volta das 4
e meia da manhã, uma enfermeira veio me chamar e me acompanhou até o Centro
Cirurgico, no 8º andar.
Contei tudo o que tinha acontecido e ela se
ofereceu para ficar comigo, até o médico chegar, mas, ela foi chamada, pelo
celular, e fiquei novamente sozinha, naquela sala lúgubre.
Porém, desta vez, apenas por uns 15 minutos,
e logo o Dr Fernando Baldi, apareceu para me dar todas as informações sobre a ‘manobra’,
feita para recolocar o fêmur no encaixe da bacia.
Ele foi muito simpático, e por isto, me senti
à vontade para pedir ajuda para chegar ao elevador.
Ele mesmo, deu a volta, do que parecia uma
meia-porta com um balcão, digitou a senha e a porta de vidro, novamente se
abriu para que eu saísse.
Muito gentil, ficou aguardando o elevador e
apertou o botão do 7º andar e, só depois de meus agradecimentos, nos despedimos
até que a porta do elevador se fechasse.
Quando desci, fui em direção ao posto de
enfermagem, chamando as enfermeiras, que logo apareceram me oferecendo ajuda.
Felizmente não precisei liberar o quarto e
depois de uns 20 minutos, minha mãe chegou, de maca, conversando animadamente,
com uma agitação um pouco acima do
normal, que deduzi ser efeito colateral da sedação.
A alta, foi bem cedinho e pudemos voltar para
casa, mas minha mãe no podia nem apoiar o pé direito no chão.
Depois de 10 dias, ouvi passos rápidos no
assoalho de madeira, do corredor, e levantei da cama assustada
Meu irmão e minha cunhada me disseram
enquanto se dirijiam para o quarto da minha mãe, que a TeleHelp tinha avisado
que ela havia caído, novamente.
Chegando no quarto, encontramos ela sentada
no chão, dizendo que estava tentando ir se arrastando de bumbum, até o o banheiro, mas estava sentindo muita dor, e
por isto, acionou o botão na pulseira.
No dia seguinte, no feriado de 21 de abril,
ela voltou a ser internada para mais uma “manobra”, mas desta vez, bastou a
agitação durante a noite para que a prótese saísse do lugar ideal, segundo a
radiografia da manhã seguinte.
Foi preciso uma cirurgia aberta, felizmente, pois,
assim, desta vez minha mãe já voltou para casa, podendo apoiar os dois pés no
chão e até andar, com a ajuda do andador.
Graças a ajuda de todos à nossa volta, e
principalmente GRAÇAS à DEUS, minha mãe se encontra em plena recuperação.
Agora, me sinto acordando de um longo
pesadelo...
sábado, 27 de maio de 2017
Inclusão em BAIXA TERAPIA
Quando tive ooportunidade de
voltar ao teatro TUCA, e rever meu ídolo, Antônio Fagundes, já fiquei muito
entusiasmada.
Além de poder revê-lo no teatro,
em uma comédia, adorei saber que se tratave de um tema que me instiga muito:
terapia de casais.
Adoro estudos sobre relações
interpessoais e principalmente, entre casais.
Esta compinação de ingredientes
mentais e psicológicos, em formato comédia, para mim, só pode resultar em
sucesso.
O elenco impecável é composto
por: Antonio Fagundes, Mara Carvalho, Ilana Kaplan, Fabio Espósito, Alexandra
Martins e Bruno Fagundes, formando 3 casais.
No final do espetáculo fiquei
muito feliz, não apenas, por ter a oportunidade de parabeniza-los, mas também
por saber da preocupação com a Inclusão e Acessibilidade:
Baixa Terapia, todo último sábado
de cada mês, a partir de abril, tem sessões com acessibilidade com a intérprete
de LIBRAS Mirian Caxilé, áudio descrição e tablets com legenda da Steno do
Brasil.
Estas são atitudes que me fazem
alimentar a fé no ser humano, e que ainda posso sonhar com um mundo melhor.
OBRIGADA.
sábado, 17 de setembro de 2016
A vida por 1 ponto de vista - Cap XIX
Deficiencia...?
Muitas vezes fiquei
observando e constatando que as pessoas tem freqüências e/ou sintonias mentais
que captam outras, que vivem as mesmas situações, ou pelo menos, parecidas e que
um imã invisível as atrai.
A
convivência com meu primo Eloy, que era paraplégico, desde que nasci, fez com
que eu visse a deficiência como uma coisa natural da vida.
E,
é!
Quando
mudamos para Apiaí, no interior de São Paulo, por causa do trabalho do meu pai,
meu irmão e eu, ganhamos muitos amigos que nos acolheram com tanto carinho, que
nunca nos esqueceremos, mesmo com a distância e o tempo que nos separa, levando
nossas vidas para outros rumos.
As
circunstancias nos levaram para caminhos diferentes, mas. o elo que nos uniu
nunca será rompido.
Tenho
certeza que eles lembram sempre da gente, tanto quanto nós, deles.
Um
dos amigos do meu irmão, tinha sido vítima da ”Paralisia Infantil”. Era arredio,
sério e, segundo a mãe dele, um tanto revoltado.
Acho
que quando descobriu que meu irmão tinha uma deficiência visual e convivia com
isso de maneira leve e natural, se sentiu mais à vontade diante das próprias dificuldades
e foi se aproximando, até começarem uma grande amizade.
Tenho
certeza que, se tornar amigo do meu irmão, foi um divisor de águas em sua vida;
que esta amizade foi um fator fundamental, na melhoria da qualidade de vida
psicológica dele, e principalmente, por que tudo isto aconteceu, em uma fase tão importante das nossas vidas: a adolescência.
Esse
garoto foi se abrindo para a vida, naturalmente, percebendo, gradativamente, que
a deficiência, seja ela qual for, não torna a pessoa melhor ou pior do que as
outras, apenas diferente, com suas caracteristicas próprias, como a cor dos
olhos, tipo de cabelo, etc...
Todo
mundo tem que conviver com suas deficiências, sejam elas físicas, intelectuais
, sociais, ou qualquer outra.
Ninguém
é dono da verdade; só esse fato, faz com que todos sejamos deficientes.
Ao
longo do tempo, esse nosso amigo, deve ter percebido que usar um aparelho na
perna, não interferiu em nada, na sua vida pessoal e profissional; ou que, pelo
menos, essa interferência, foi muito menor do que ele temia, assim como nós,
com a nossa deficiência visual.
Meu
irmão e eu, numca deixamos de viver experiências deliciosas, e muito menos nos
tornamos adolescentes e adultos amargos e introspectivos.
Sempre
levamos a vida e as dificuldades com bom humor, nos divertindo com situações
bizarras que passamos por causa da baixa visão.
A
convivência com nosso primo Eloy, e sua maneira sábia de encarar a vida, nos
ensinou muito, pois, sua tetraplegia, numca impediu que ele exalasse tanta
inteligência, bom humor e alegira de viver.
Com
o tempo, fui percebendo que existem deficiências muito piores, como: a de
caráter, de bom senso, de sensibilidade,
etc...
domingo, 4 de setembro de 2016
A vida por 1 ponto de vista - Cap XVIII
Na cachoeira da Toca
Essa história poderia muito bem, ter
como título uma frase de autoria duvidosa: Lao Tsé, Jean Cocteau, Mark Twain...: “Não sabendo que
era impossível, ele foi lá e fêz”.
A bem da verdade, eu já tinha ficado com muita vontade de conhecer
a cachoeira da Toca, na Ilhabela, desde que uma amiga nossa tinha falado coisas
incríveis, sobre esse lugar.
Na época em que os parques infantis tinham os grandes tobogãs,
nossa amiga contou que foi em uma cachoeira, na Ilhabela, que tinha um tobogã natural,
esculpido nas pedras, pelas àguas da corredeira.
Meu irmão e eu, ficamos ansiosos
pela chegada das férias, para irmos até lá.
Acho que até meus pais ficaram
curiosos, pois, logo disseram que nos levariam, com os pais da Elayne e do
Tico, que sempre compartilhavam as férias, feriados e descobertas, com a gente.
Logo, no início das férias, quando
chegamos em Caraguá, começamos a programar o passeio na Ilhabela.
Estávamos em 11 pessoas.
Nossos pais: tia Ignês, tio Cláudiok “tia” Elza, “tio” Alcides (adultos)
e, nós, os filhos: Niltinho, Elayne, Tico, meu irmão e eu.
Tivemos que acordar bem cedo, pra não pegarmos fila na balsa, e aproveitarmos
bem o dia, na ilha.
Nossas mães prepararam tudo para um
delicioso piquenique e fomos, ansiosos, para conhecer o tal tobogã natural,
Já tínhamos ido varias vezes até a
ilha, e desde muito pequena já ficava deslumbrada com a beleza do lugar: os
mistérios da pedra do sino, o clima tão bucólico da Vila, com sua arquitetura
colonial do tempo dos engenhos, a casa da fazenda do Engenho D’agua, a
vegetação tropical taõ exuberante, as praias...
Demoramos um pouco para encontrar o lugar, pois, a cachoeira,
fica em uma propriedade particular em uma estrada bem rudimentar que atravessa
a ilha, de Oeste à Leste, até a famosa Praia dos Castelhanos, que eu ainda não
tive oportunidade de conhecer, mas, gostaria muito.
O trajeto desta estrada, é difícil, mas,
pode ser feito com carros fortes como um jipe 4 X 4, a pé, ou por mar, como fazem
os pescadores que moram no lado Leste da ilha.
O trajeto feito à pé, e frequentemente feito pelos mochileiros e
campistas.
Alguem viu, ao chegarmos, uma placa,
escrita à mão, sinalizando: Cachoeira da Toca.
Fomos entrando pela mata, seguindo o
som da corredeira.
O lugar tem uma vista deslumbrante!
Só natureza, repleta de cores e
sons.
Um recanto com uma espécie de lago, à
esquerda, rodeado pela mata atlântica; à direita, uma espécia de escada
natural, que acompanha o terreno em aclive, formada pelas pedras, que dá acesso
à tão famosa: ”Cachoeira da Toca.
Já tinham me dito que ali, a gente poderia entrar pela lateral
esquerda, e ficar entre o rochedo e a queda d’àgua. Fomos entrando, um à um,
esperando, até todos estivessem lá, para pudéssemos compartilhar aquela emoção,
aquele deslumbramento, de descoberta, boiando em uma espécia de poço, com uma
rocha em nossas costas, e a forte queda d’àgua à nossa frente; tomando coragem
para fazer o que tinham nos ensinado: dar um impulso com o pé na rocha, em
direção à queda d’âgua, de barriga, usando a força da àgua para nos impulsionar
para fora daquela espécie de refúgio.
Era mágico!
A gente sentia como se tivesse descoberto um lugar secreto.
Mas,
quando saí, percebi que tinha dado um impulso muito forte, e por isto, perdi o
controle da velocidade, e fui levada pela correnteza.
Meu pai, logo percebeu que eu estava sendo levada pela
conrredeira e tratou de pular na minha frente, bloquear a minha passagem, me
tirando da àgua, assustado.
A minha mãe e os meus tios, também se assustaram.
Voltando, descendo pela escada de pedras, no final dela, reencontramos
a plataforma de pedra; uma rocha grande, que dá acesso, à esquerda, ao famoso tobogã natural.
Nós, meus pais, meu irmão e eu, já sabíamos que era só entrar
pela parte mais alta, para que a corredeira nos conduzisse pelo “grande
escorregador”.
Ficamos todos parados, nos entreolhando e esperando que alguém tomasse
a iniciativa, e ser o primeiro à escorregar.
Depois de alguns segundos de silencio, como ninguém se manifestou,
e eu sabia que era seguro, e que muita gente já tinha escorregado ali... Adivinha
quem se propôs à ir primeiro...?
Dei meus óculos para alguém segurar, e... Lá fui eu...
Nós tínhamos conhecimento de que muitas pessoas já tinham escorregado
ali, por isto, eu tinha certeza de que não correria nenhum perigo.
Me enganei.
Quando estava na metade do trajeto, de repente, vi uma saliência
enorme da pedra à minha direita, se aproximando, rapidamente.
Só deu tempo de colocar a mão direita na pedra e dar um impulso
para a esquerda, para desviar dela.
Quando cheguei às àguas calmas da piscina natural, fiquei
aliviada e achei o lugar ainda mais relaxante, com a luz do entardecer.
Consegui sair de lá, com a ajuda de todos e de um tipo de puxador
de ferro, incrustado na plataforma de pedra que se espraiava até a ”piscina”,
com uma inclinação bem íngreme.
Esta espécie de puxador, ajuda bastane na saída dos banhistas,
principalmente, quando a pedra já está molhada e escorregadia.
Depois que saí da àgua, todos comentaram sobre o perigo de
escorregar muito pela direita por causa da saliência, ameaçadora, da pedra do
lado direito da corredeira.
Assim, fomos pegando o jeito, e nos divertimos muito, apesar do
esforço ao sair da àgua.
Aproveitamos aquilo tudo até o finalzinho da tarde, quando
começou escurecer e nossas forças se esgotaram de tanto subir e escorregar,
subir e escorregar..
Em muitas situações como essa, eu poderia mudar a famosa frase
para: “Não sabendor que era impossível, fui lá e fiz!”
sábado, 3 de setembro de 2016
A vida por 1 ponto de vista - Cap XVII
Deficiencia...?
Muitas vezes fiquei
observando e constatando que as pessoas tem freqüências e/ou sintonias mentais
que captam outras, que vivem as mesmas situações, ou pelo menos parecidas, e
parece que um imã invisível as atrai.
A
convivência com meu primo Eloy, que era paraplégico, desde que nasci, fez com
que eu visse a deficiência como uma coisa natural da vida.
E,
é!
Quando
mudamos para Apiaí, no interior de São Paulo, por causa do trabalho do meu pai,
meu irmão e eu, ganhamos muitos amigos que nos acolheram com tanto carinho, que
nunca nos esqueceremos, mesmo com a distância e o tempo que nos separa, levando
nossas vidas para para outros rumos.
A
vida nos levou para caminhos diferentes, mas. o elo que nos uniu nunca será
rompido.
Tenho
certeza que eles, também, lembram sempre
da gente, tanto quanto nós, deles.
Um
dos amigos do meu irmão, tinha sido vítima de paralisia infantil. Era arredio,
sério e, segundo a mãe dele, parecia um tanto revoltado.
Acho
que quando descobriu que meu irmão tinha uma deficiência visual e convivia com
isso de maneira leve e natural, se sentiu mais à vontade diante das próprias dificuldades
e foi se aproximando até começarem uma grande amizade.
Tenho
certeza que, se tornar amigo do meu irmão, foi um divisor de águas em sua vida.;
que esta teve uma participação fundamental, na melhoria da qualidade de vida
psicológica dele. Principalmente por que tudo isso aconteceu numa fase tão importante de nossas vidas: a adolescência.
Esse
garoto foi se abrindo para a vida, naturalmente, percebendo gradativamente que
uma deficiência não faz com que as pessoas sejam melhores, ou piores do que as outras.
Todo
mundo tem que conviver com suas deficiências, sejam elas físicas, intelectuais
, sociais, ou qualquer outra.
Ninguém
é dono da verdade e só esse fato, faz que que todos sejamos deficientes.
Ao
longo do tempo ele deve ter percebido que usar um aparelho na perna, não
interferiu em nada, na sua vida pessoal e profissional; ou que, pelo menos,
essa interferência, foi muito menor do que ele temia, assim como nós, com a
nossa deficiência visual.
numca
deixamos de viver experiências deliciosas, e muito menos nos tornamos adolescentes
e adultos amargos e introspectivos.
Sempre
levamos a vida e as dificuldades com bom humor, nos divertindo com situações
bizarras que passamos por causa da baixa visão.
A
convivência com nosso primo Eloy, nos ensinou muito neste sentido, porque, sua
tetraplegia numca impediu que ele exalasse tanta inteligência, bom humor e
sabedoria de vida.
Com
o tempo, fui percebendo que existem deficiências muito piores, como: a de
caráter, de bom senso, de sensibilidade,
etc...
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Reflexões
Para cima, e para o alto!
Se um dia, menino
A vida lhe pega
Andando sem tino
Caindo na pedra
Não fica, menino
Por causa da pedra
Como o corpo fechado
Com um corpo de pedra
Um dia essa pedra
Com mêdo de alguém
Com o corpo em queda
Pode ir além
De um poço sem fim
Não fica, menino
Por causa da pedra
Com o corpo fechado
Com um corpo de pedra
Silvann@____
Se um dia, menino
A vida lhe pega
Andando sem tino
Caindo na pedra
Não fica, menino
Por causa da pedra
Como o corpo fechado
Com um corpo de pedra
Um dia essa pedra
Com mêdo de alguém
Com o corpo em queda
Pode ir além
De um poço sem fim
Não fica, menino
Por causa da pedra
Com o corpo fechado
Com um corpo de pedra
Silvann@____


